Oficina RPG

Construindo histórias

Publicações de RPG, ou a falta delas, no Brasil

Published by Andreas Kinsvlers under on 08:03

P   egando como gancho o convite feito pelo Ibere referente à feira literária, me lembro de antigas  conversas que eu e alguns amigos (depois falaremos sobre eles) tínhamos sobre as publicações de RPG no Brasil.

Até que naquela época o RPG era melhor suprido deste tipo de publicações. Alguns dos lançamentos da época foram: a segunda edição do GURPS, com o lançamento de 6 suplementos praticamente ao mesmo tempo; a linha Storyteller (Vampiro: A máscara, Lobisomem: o Apocalipse, Mago... dentre outros) também estava na sua segunda edição e tinha o lançamento de vários Livros de Clãs, de Tribos e de Tradições. A editora Abril também tinha lançando o AD&D com um CD-ROM de efeitos sonoros para as aventuras. RPGs totalmente tupiniquins começavam a despontar, tais como: Tagmar, Desafio dos Bandeirantes e Trevas. Em resumo, era uma época muito feliz para os jogadores de RPG no Brasil.

O que se vê hoje em dia é um cenário um pouco mais compacto do que tínhamos naquela época. Dos RPGs brasileiros, o único que realmente está na ativa é o Trevas. E, ao que parece, Tagmar voltou das cinzas reformulado em um RPG 100% gratuito. Quanto às editoras, restaram poucas: a Daemon (Trevas) e a Devir (vamos dizer que ela é a responsável pelos outros títulos). A editora Abril abandonou este mundo RPGístico, talvez pela pouca procura que seus produtos tiveram, sei lá. Assim, ficamos apenas com duas editoras.

O que aconteceria agora? Uma das coisas que poderia acontecer era: menos editoras, mais lucros. Afinal de contas, se você quiser jogar RPG, tem que escolher entre os produtos da Daemon ou da Devir. Só que não foi bem isso que aconteceu. Vamos falar do que foi lançado lá fora e comparar com a nossa realidade. Neste meio tempo, GURPS teve mais de 100 títulos de suplementos lançados, além de passar por duas reformulações: a 3ª e a 4ª edições.

E aqui no Brasil?? Contando com o Módulo básico, 18 publicações foram feitas. Todas para a segunda edição. A 4ª edição de GURPS? Bem, se você souber coreano, lá na Coréia já houve o lançamento oficial... Na Coréia ... Bem, pensando agora, vendo outro título, o D&D (Dungeons & Dragons) na edição 3.5, que literalmente estourou no mundo inteiro, também conta com mais de 100 publicações só para a versão 3.0. No Brasil, foram lançados menos de 20 destes títulos. Se ficasse só nestes, OK. Porém, tem outros sistemas de RPG que nem mencionei aqui e que também ficaram no esquecimento.

Estes são alguns motivos pelos quais jogadores de RPG, que gostam de RPG, que tem a necessidade de estar sempre buscando material novo para suas campanhas precisam recorrer à internet para baixar material para seus jogos e muitos destes materiais estão em inglês, ou então, se reunir em grupos para traduzir títulos que não saíram no Brasil, e que nunca sairão (exemplos disto são as publicações do D&D 3.5, que mesmo que a Devir já tenha traduzido ela não pode lançar).

Gostar e jogar RPG no Brasil é uma tarefa um tanto quanto desafiadora. Inicia-se pela dificuldade de achar material para RPG - sendo livros, miniaturas e dados - ou achar participantes para tal jogo.

Aqui no Brasil, ainda que pela falta de incentivo à leitura ou pela mistificação do que é o RPG (depois veremos que para alguns, é uma afronta a algumas religiões), os jogadores de RPG estão cada vez mais escassos, e bons jogadores de RPG então, são joias raras.

Agradecimentos especiais a B2.O pela revisão do texto.

1 comentários:

Caique Abbud disse... @ 12 de setembro de 2010 16:00

É realmente um triste panorama, esse retratado pelo post.

De minha parte, procuro realizar projetos envolvendo a prática dos RPGs nas escolas onde dou aulas de artes. Quem sabe o surgimento de novos bons jogadores não reverta esse quadro...

No mais, continuem o bom trabalho. Voltarei sempre!

abçs.

Postar um comentário